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HAITI: dilemas e fracassos internacionais

Autor: Ricardo Seitenfus
Páginas: 414 pgs.
Ano da Publicação: 2018
Editora: Instituto Memória
De: R$ 130,00 - por: R$ 125,00

SINOPSE

AUTOR: RICARDO ANTÔNIO SILVA SEITENFUS
possui graduação em Ciência Política - Universidade de Genebra (1973), graduação em Economia do Desenvolvimento - Universidade de Genebra (1973), graduação em História Moderna e Contemporânea - Universidade de Genebra (1978), e doutorado no Institut des Hautes Etudes Internationales (IHEI) - Universidade de Genebra (1980). Professor titular na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Santa Maria, Fundador e Primeiro Secretário da Secretaria de Assuntos Internacionais do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Foi Vice- Presidente da Comissão Jurídica Interamericana (CJI) da Organização dos Estados Americanos (OEA). Foi Representante Especial do Secretario Geral da OEA e Chefe do Escritório da OEA no Haiti (2009-2011). Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Política Externa do Brasil.

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PREFÁCIO

Ricardo Seitenfus é minha referência sobre o Haiti, desde quando comecei a debater o tema. Isto aconteceu nas vésperas de o Brasil enviar um contingente militar a Porto Príncipe.

Naquela ocasião, como deputado de oposição, questionei a remessa de tropas brasileiras. Minhas lembranças do processo haitiano não davam margem ao otimismo.

Acabara de ler um relatório de Régis Debray, escrito para o governo socialista da França, no qual o escritor revelava todas as dificuldades de intervir positivamente no Haiti. Além da pobreza, o país era um cemitério de obras fracassadas ou inconclusas.

Nas minhas lembranças estava também o romance de Graham Greene, Os Comediantes, no qual ele menciona estradas arruinadas, construídas no tempo da ocupação militar americana.

O que o Brasil faria no Haiti? Como garantir que sua presença não era apenas mais um ato numa sucessão de intervenções fracassadas?

Ricardo Seitenfus foi ao Congresso discutir o tema e me convenceu, com seus conhecimentos e, sobretudo, de meio de sua empatia com a cultura haitiana, de que havia uma chance de êxito na presença brasileira.

De lá para cá muita coisa se passou no Haiti, inclusive um trágico terremoto. O livro de Seitenfus rememora todos os lances importantes da intervenção e nos oferece também uma excelente e profunda visão da história haitiana, do isolamento de um país que ousou se libertar do colonialismo francês e trilhar o caminho da independência.

Como alguém que pensou um novo caminho para o Haiti, vivendo os problemas cotidianos do país, durante e depois do terremoto, Seitenfus não só apresenta uma crítica precisa dos erros cometidos ali como manifesta uma certa apreensão pelo futuro.

Uma das frases de seu livro, no meu entendimento, deveria ser gravada na entrada do Haiti e lida por todos que acreditam estar mudando a história haitiana: “Aqui, não há nada a pacificar e tudo a construir”.

Seitenfus avalia também o processo de construção de um novo Haiti, o emaranhado de Organizações Não Governamentais, a fragilidade das instituições e, sobretudo, depois do terremoto, a invasão religiosa dos que querem salvar o Haiti de seu “equívoco religioso”, o vodu.

O Haiti tornou-se uma página aberta na qual todos querem escrever sua epopeia ou exorcizar seus fantasmas. O que quer o povo haitiano, porém? Quando será de novo o mestre de seu destino?

Como funcionário internacional e conhecedor do país, Seitenfus oferece uma visão detalhada de todos os equívocos e possíveis acertos da presença estrangeira no Haiti.

Ele revela em detalhes a tensão entre o comando brasileiro das Forças de Paz e o poderoso esquema que sempre vê a intensificação da repressão como uma saída para as sucessivas crises haitianas.

O ponto mais delicado dessa tensão foi o suicídio do general Urano Bacellar, comandante brasileiro das Forças de Paz. No momento em que morreu era pressionado para alterar o viés social que o Brasil procurava dar ao seu trabalho e substituí-lo por uma política mais repressiva.

Suicídios são sempre muito complexos para se explicar com um só motivo, mas sem dúvida a tensão e as pressões que o general Bacellar sofreu tiveram um papel importante na sua morte.

Olhando para trás, quando mesmo divergindo tínhamos uma certa esperança na colaboração estrangeira no Haiti, jamais poderíamos imaginar que as forças militares da ONU, as que iriam proteger o país, levassem para o Haiti mais um fator destrutivo: a epidemia de cólera, disseminada pela presença de soldados nepaleses contaminados pelo vírus.

São muitos episódios dramáticos, desde o princípio do Haiti. Seitenfus os analisa com precisão e amor. Ele mesmo adverte no começo do livro que está falando não só de um país que estuda, mas de um país que ama, de um povo com o qual simpatiza e vê nele inúmeros potenciais.

Forças de ocupação, forças de reconstrução, estadistas salvadores, como Bill Clinton, religiosos americanos que desembarcam no Haiti querendo livrá-lo de uma “religião infernal” - todos passam pelo crivo da avaliação de Seitenfus.

Quando discutíamos a ida de tropas brasileiras para o Haiti não pressentíamos a sucessão de tragédias que envolveriam o país.

Seitenfus foi fiel as suas opções. Mergulhou na vida haitiana, aprofundou seus conhecimentos históricos e culturais sobre o país, e hoje nos oferece um quadro extremamente rico e detalhado dos acontecimentos.

É um livro definitivo sobre a história do Haiti. Uma descrição profunda da intervenção, feita por um quadro internacional que fez parte dela. Não é só isso entretanto: é uma renovada declaração de amor ao Haiti e seu fascinante povo.

Fernando Gabeira

Escritor, jornalista, foi Deputado federal.

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PRÓLOGO

Las Relaciones Peligrosas

Nada ha cambiado de manera fundamental en el mundo, solo las palabras, las fórmulas y formas de dominación han cambiado.

La frase de Jacques-Stephen Alexis describe más o menos la ambigua relación que nos une con los poderes que nos “ayudan”. Yo añadiría que la locura suicida de la víctima, igualmente se refiere a la patología del depredador.

En esta obra, Ricardo Seitenfus entrega un poderoso testimonio sobre el papel de la Comunidad Internacional en Haití.

En él expresa una palabra no común.

La palabra de un hombre que a pesar de su función de Representante Especial del Secretariado General de la OEA en Haití y, por consiguiente, miembro del Grupo Central o grupo de los principales “socios técnicos y financieros” que intervienen en Haití (Argentina, Brasil, Canadá, Chile, España, Estados Unidos, Francia, la Organización de Naciones Unidas, la Organización de Estados Americanos y la Unión Europea) no teme tomar distancia de sus pares.

Esta es la palabra de un verdadero amigo de Haití. Un amigo orgulloso de su amistad que no se escuda detrás de su condición de extranjero. Un amigo que tiene el valor de decir las cosas tales como son, incluso cuando hacen mal.

Él nos aporta igualmente un discurso urgente y útil. Una palabra proveniente del vientre mismo de la bestia. Una pala-bra que es oportuna pues ya no es tiempo de someterse.

Ricardo Seitenfus pudo haber elegido ser un simple cómplice y callarse como los que le antecedieron, mas, él prueba su amistad arriesgando su carrera.

Él escribió que “Haití no es para aficionados”. Sin embargo, crisis tras crisis, “se” nos han enviado aficionados. Sería interesante hacer una lista de estas estrellas en ascenso diplomático, los aprendices de estos brujos, destinados parece (les gusta repetirlo, el puro en la boca, en la famosa cena en las embajadas) a grandes carreras en sus países. Llegan llenos de entusiasmo a la cabecera de Haití y terminan, inexorablemente, como tantos otros antes que ellos, en el gran cementerio de los escaldados de la isla.

Aunque uno puede pensar en sus acciones en terreno, y en el reciente papel del autor dentro de la crisis haitiana, es forzoso reconocer que el libro de Ricardo Seitenfus ofrece una preciosa base de datos sobre el modus operandi de la Comunidad Internacional en Haití. Para aquellos que todavía dudaban, las pruebas de la injerencia internacional en los asuntos de Haití, ahora son accesibles. Sus puntos son válidos e inalienables. Uno no puede, en lo sucesivo, ignorarlas.

Dentro del marco diplomático internacional en el cual operamos, uno puede considerar a Ricardo Seitenfus como un alertador (que toca el timbre de la alarma). Un denunciante que no solamente revela, sino que ilumina igualmente la complejidad de las implicancias de la presencia internacional en Haití. Nosotros vivimos una época en la que los poderosos no vacilan – literalmente – en marchar sobre cadáveres. Y Haití después del terremoto de enero de 2010 ilustra este estado de la situación.

No obstante, cualquiera que calle, década tras década, y tolere, incluso participe en este ensañamiento nocivo del Norte sobre el Sur, al final no es más que otro cómplice. Cómplices de estas estrategias de desarrollo obsoletas y mortales, de es-tas “intervenciones” políticas o militares repetidas, y de estas “muestras” de bondad humanitaria ante los impactos catastróficos en los países “beneficiarios”.

Uno no puede contentarse con repetir que “incluso, si hay errores, al final todo quedó mejor”. Cualquiera que sea el criterio seleccionado, el fracaso de todas estas injerencias es colosal. Es tarea de esta Comunidad Internacional el poder presentarnos alguna pequeña “historia exitosa”, no importa mucho en qué lugar del mundo.

Algunos análisis y conclusiones de Ricardo Seitenfus pueden suscitar el debate. Su análisis, a veces puede mostrarse culpable de los extravíos que él denuncia, cuando pregunta: “¿Qué hay de extraordinario en la tierra de Toussaint Louverture que pueda explicar su inadaptabilidad constante a la modernidad? ¿No está utilizando él mismo la concepción eurocéntrica de la modernidad? ¿Esa que niega la existencia y el rol “de las peri-ferias” en la historia universal?”.

¡Nosotros somos los que hemos inventado la modernidad! Desde que decidimos escribir nuestra propia historia y que Haití continúe pagando el precio de su insolencia.

Haití es un país “que se volvió” pobre. ¿Dónde? ¿Cómo? A golpe de amenazas de guerra y destrucción, de embargo eco-nómico y de chantaje diplomático, pasó de ser una de las más ricas de las colonias francesas al más pobre de los países del continente.

Nuestro error no es alguna inadaptabilidad a la modernidad, sino simplemente la culpa (y la tara) de tener razón demasiado pronto, de haber vencido demasiado pronto (¡Michel-Rolph Trouillot vuelve pronto a nosotros!).

Porque es la revolución haitiana lo que cambió la causa. Ya que ella forzó a los franceses a expandir su concepto de humanidad con la inclusión de todas las razas y del mismo modo volverla universal.

Toussaint Louverture tuvo que desplegar grandeza y perspicacia para no ceder a los reflejos habituales de los vencedores y a la ambición ciega de sus semejantes en la época (Napo-león, Jefferson, los soberanos británicos, prusianos, etc.), todos igualmente emocionados con la conquista de nuevos territorios, de nuevos poderes, tratando continuamente, durante décadas, a una parte de la humanidad como si fuesen animales (y con el propósito de obtener grandes beneficios).

Ochenta y cuatro años después de nuestra independencia, la esclavitud todavía existía en la región. Esto debería invitar a algunos de aquellos que nos dan clases a tener un ápice de modestia en sus exigencias apuradas. Parafraseando a Malcom X: “¡La modernidad nos ha caído encima!”. Esta realidad histórica fundamental no puede continuar ocultándose.

Ricardo Seitenfus también nos dice que “no existe tradición democrática en Haití”. Esto es volver a caer en el error de interpretar la experiencia haitiana solo en términos de la experiencia europea de la democracia. Frente a este nuevo mundo que ella creó después de la revolución, Haití se encontró, como en el período pos revolucionario francés, ante un vacío utópico sin un modelo político evidente. Ciertamente, la joven nación también cortó algunas cabezas. Uno puede también señalar los excesos de un Dessalines, general victorioso, quien se hiciera coronar Emperador el 8 de octubre de 1804, pero adelantándose a su rival, Bonaparte, quien hiciera lo mismo el 2 de diciembre de 1804, dos meses después, los dos, sin duda en busca de nuevos modelos. Extraña emulación, cuando uno piensa que el rey había sido guillotinado once años antes.

Por otra parte ¿de qué democracia estamos hablando hoy, la de un Vladimir Putin o la de un Silvio Berlusconi? Para ganar una revolución contra las más grandes potencias mundiales de la época, fueron necesarios muchos debates, consenso, movilización, experiencias políticas, discernimiento histórico, alma patriótica, sacrificios individuales, etc. La revolución haitiana no fue la respuesta de una banda de salvajes frente a la injusticia de su situación. Fue una sociedad y un ejército organizado, con sus estrategias, sus acciones de guerra, contra una armada occidental superior en equipamiento, en armas, en experiencia… (y en ¿“modernidad”?).

Finalmente, llamaría a la prudencia frente a ciertos lugares comunes que Ricardo Seitenfus retoma: el Estado haitiano no existe (es débil y frágil, pero existe), la sociedad civil es precaria (ella está sobre todo cansada de tantos combates, pero en todo caso no ha dicho su última palabra), país dominado por el fatalismo (un país especialmente paciente con la historia y que mira pasar serenamente a los verdugos del momento).

Cualquiera de estas observaciones es residual. Nada más lejos de mí, la idea de intentar hacer un análisis de texto de este valioso libro. Más bien, saludemos a la experiencia auténtica y subrayemos el valor y la fuerza de este libro. Una fuerza que reside en la capacidad de su autor por ser un testigo directo, o mejor, un actor vital en los momentos claves de este melodrama inverosímil que fueron estos últimos cuatro años en Haití. No se trata, entonces, de estar de acuerdo o no con Ricardo Seitenfus, sino más bien de tomar en cuenta estas informaciones de “insider” (del interior) que nos ofrece. Así como la radio-grafía de este grupo autodenominado “Amigos de Haití”, o del Grupo Central, íntimamente persuadidos de dirigir el país, a pesar de la evidencia de su reiterado fracaso. Apreciamos sin límite, el hecho de que él fue capaz de seguir los acontecimientos desde su situación excepcional, en el centro mismo de la trama, que fue capaz de informarnos, manteniendo una mirada crítica sobre estas peripecias así como sobre los hombres y mujeres en el centro de los sucesos (terremoto, despliegue de la “ayuda” humanitaria masiva, la epidemia de cólera, injerencia política, fraudes electorales, etc.).

Él fue capaz de hacerlo a una buena distancia, sin erigirse jamás como “procónsul” poscolonial como algunos embajadores que se creyeron en tierra conquistada y enfermos de celebridad. La famosa jornada electoral del 28 de noviembre de 2010, descrita extensamente en el libro, nos ofrece el mejor ejemplo de este tipo de comportamiento abusivo.

Un día que demostró – si es preciso todavía – la mano del Grupo Central puesta sobre el país y la audacia sin igual de su jefe, alto funcionario, designado por el Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas para liderar una misión de Paz en Haití (¡misión de estabilización!) y que se va a revelar como una diplomacia belicista irresponsable. Estoy hablando de Edmond Mulet, Representante Especial del Secretariado General de La ONU.

Esto me da la oportunidad de hablar desde mi propia experiencia como testigo involuntario dentro de esta cábala onusiana (y americana). Porque ese día, estaba en la base logística (Log Base) de la Misión de las Naciones Unidas para la Estabilización en Haití (MINUSTAH), próximo al aeropuerto para el rodaje de mi película documental sobre la intervención humanitaria en Haití después del terremoto. Película que no se titulaba aún “Asistencia mortal”. Asisto entonces, al segundo punto de la etapa interna del día, sobre las elecciones, presidida por Edmond Mulet (por supuesto, con la amable autorización de este último).

Edmond Mulet, siempre dispuesto a hacerme confidencias fuera de cámara, se convierte, sin embargo, en un diplomático lengua de madera cuando lo entrevisto con la cámara. Pero su inclinación a las anécdotas y los pequeños chismes, le jugará una mala pasada. Así, él me confiará hechos y reflexiones que habría debido cuidar de que no fueran divulgadas, dado el carácter de su misión oficial.

Es así como Edmond Mulet, quien me tildara más tarde de mentiroso en la prensa, me contó durante un descanso, cómo él le propuso un avión al presidente René Préval para que abandonara el país. Sonriendo, y sin adivinar mi asombro en ese momento, me dice la respuesta que Préval le dio a su absurda “propuesta”: “Si tengo que elegir entre Aristide y Allende, yo seré más bien Allende” (gran estruendo de risa). Edmond Mulet le contará la misma historia, y en los mismos términos, a Ricardo Seitenfus, quien la cita en este libro. Mulet se rió a carcajadas, contento con su broma.

René Préval confirma igualmente este incidente, y por vez primera lo hace públicamente frente a la cámara, en mi película “Asistencia mortal”. A pesar de sus negativas, Edmond Mulet, Representante Especial (¡) de las Naciones Unidas, ha intentado de hecho un golpe de Estado contra un presidente electo. No existe otro término para este acto.

Ricardo Seitenfus cuenta hasta el más mínimo detalle de esta descabellada historia. Si este libro tiene una razón de ser es, sobre todo, por esta increíble escena. El “abc” de la necedad imperialista en todo su esplendor y en toda su cobardía. El ambicioso “cardenal” (Mulet) que hace el trabajo sucio del patrón norteamericano (el embajador Kenneth Merten) ayudado por el empleaducho manipulador, el embajador francés (Didier Le Bret). Ruines ambos. Uno se cree dentro de una fábula de La Fontaine.

Para cerrar este capítulo sobre las elecciones manipuladas por la Comunidad Internacional, quisiera recordar – complementando el testimonio de Ricardo Seitenfus –, aquel no menos dramático y central de Ginette Chérubin, ex ministra y ex miembro del CEP, en su libro “El vientre podrido de la bestia” en el que ella cuenta las amenazas del mismo Edmond Mulet contra miembros del CEP que valientemente se negaron a obedecerle, cuando él les pidió expresamente y sin ambigüedad cambiar (¡Sí, cambiar!) los resultados de las elecciones para permitir al candidato “electo” Michel Martelly acceder a la segunda ronda.

Veredicto de Ricardo Seitenfus: es la Comunidad Internacional quien eligió al nuevo presidente de Haití. Terrible des-cubrimiento.

Si añadimos a todo lo que aquí precede el verdadero escándalo de la aparición y propagación de la epidemia del cólera que devastó al país poco tiempo después y la responsabilidad probada de la MINUSTAH, y de la cual Ricardo Seitenfus des-cribe los misterios, uno llega a la conclusión obvia de que Edmond Mulet y sus patrocinadores deberían terminar todos ante una alta Corte de Justicia.

A principios de 2015, los tristes acontecimientos políticos del país nos recuerdan todavía que es tiempo de detener a estos aficionados en su recomenzar perpetuo y ciego y a nosotros, los haitianos, de tomar nuevamente nuestras responsabilidades, como hemos sabido hacerlo durante toda nuestra historia.

Y en este “combate” entre haitianos es preciso volver a poner un poco de ideología en el debate. Uno no puede continuar escuchando a los populistas clamar alto y fuerte que ellos quieren ayudar a los pobres (sin cuestionar, al mismo tiempo, el porqué de esta pobreza), que la educación sea gratuita para todos (sin preguntar de qué escuela se trata). Nuestros “líderes” del momento pueden hacer promesa gratuitas sin ser contradichos por nadie, incluyendo a los periodistas cuyo tra-bajo no obstante tendría que ser el de recordar que no existen muchos dirigentes que se hayan ganado el derecho de proteger a los pobres en cualquier asunto de sus países, y menos todavía dar una solución a la real desigualdad entre las clases sociales. No es suficiente decir que se quiere ayudar a los pobres para que esto sea verdadero, cuando nada en su política económica, ni en sus presupuestos y acciones indica orientaciones al respecto.

Este deterioro del debate político en el que simplemente se declaran las “buenas intenciones” con la mano en el corazón, su celebridad, y su carisma de espectáculo para acceder a la función suprema, no es ya más aceptable. Mientras los mismos personajes continúan llegando al escenario, sin ningún pasado militante, ningún anclaje parlamentario ni actividad política conocida.

El fracaso de la gestión después del terremoto y la calami-tosa injerencia extranjera que ha falseado los resultados de las elecciones para darnos un presidente que nadie esperaba, es flagrante.

Estos son los mismos “amigos” de otros lugares que hoy día ejercen presión sobre su “criatura”, para las elecciones retrasadas tres años y medio.

Ricardo Seitenfus ha podido ser considerado como muy cercano al anterior presidente, René Préval, pero eso no le ha impedido estar cerca de Haití, de sus intelectuales, de sus artistas, de su sociedad civil, de sus ciudadanos. Una capacidad de empatía rara en estos días.

Ricardo Seitenfus fue un “bom companheiro” (un buen compañero, en portugués). Un compañero de lucha con quien discutir y también capaz de escuchar. Y para los tiempos que corren, en las batallas que debemos continuar llevando a cabo, eso no es poco.

Gracias por todo ello, señor Seitenfus.

Raoul Peck

Cineasta, ex ministro de Cultura de Haití.

Puerto Príncipe, diciembre 2014.