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O BRILHANTE

Autor: Altamir Margrhraf
Páginas: 230 pgs.
Ano da Publicação: 2010
Editora: Instituto Memória
Preço: R$ 55,00

SINOPSE

Chegamos ao século XXI!

Durante a jornada suscitaram muitas dúvidas se alcançaríamos esse intento, mas alcançamos, embora confusos e com os nossos valores essenciais estilhaçados: já não sabemos se o que vale mais é a vida ou um par de tênis; se a saúde ou uma joia em ouro; se uma sincera amizade ou um jornal da semana passada; se um filho ou algumas moedas; se a dignidade, a honra ou a corrupção. Paramos no semáforo, não porque respeitamos o outro ou porque estamos preocupados em não colocar a vida em risco, mas porque nos apavora a possibilidade de sermos multados, pela possibilidade de perdermos valores pecuniários, porque a dor maior é a dor no bolso. Já não olhamos mais as flores. Para quê, se existem outras cores, outras paixões, outros amores?   

Chegamos, uns apoiando-se nos outros, a duras penas, mas isto foi sendo esquecido pelo meio do caminho e, hoje, os cerca de seis e meio bilhões – eu, tendo em vista que algumas nações ainda hoje não registram, como deveriam, os nascimentos e os óbitos, acresceria pelo menos 30% a este número – de semelhantes, de colaboradores para a triunfal chegada, não passam de estranhos de outras tribos, de competidores ou de possibilidades de negócio. Ao invés de confraternização, disputa de interesses. Por isso não pensamos vez e meia antes de queimarmos uma floresta inteira para criar gado ou fazer carvão e ainda exigimos aclamação por estarmos contribuindo para matar a fome do mundo, além de, indiscutivelmente, estarmos gerando emprego e renda, “tão necessários para a sobrevivência”. Não fossem os freios culturais, especificamente o religioso, e o natural, que está nas entranhas de todas as espécies impedindo que urso coma urso e que lobo coma lobo, é bem provável que nós, Homens, já estivéssemos caçando e comendo uns aos outros aos temperos das ervas finas, sem nenhum sentimento de culpa.  

  Evoluímos, não há como negar, até porque o pensamento humano, como tudo no Universo, o que já conhecemos e o que ainda desconhecemos, está submisso às leis da evolução. No entanto, quando avaliamos algumas atitudes, ficamos em dúvida quanto a essa evolução e até a questionamos. A mentalidade vista sobre o prisma da moral, da ética e dos sentimentos fraternais parece ter estagnado ou até piorado.

  É inquestionável a evolução científica – se bem que demoramos muito para adquirir Conhecimento Científico, pois os estudos e os resultados científicos demoram muito tempo, às vezes décadas e até séculos para chegar até as escolas e, mesmo assim, quase sempre chegam apenas segmentos – e também é inquestionável a evolução tecnológica, mas, nas questões filosóficas e religiosas, temos a impressão, e praticamente certeza, de ainda vivermos no mais remoto passado. 

  A Ciência e principalmente a Tecnologia nos deslumbram, além de nos propiciar os confortos, os regalos e as comodidades que nos mais antigos sonhos sonhamos.  Constatado o nosso poder de criação, de realização dos sonhos, adquirimos a certeza de que somos deuses. Mas, o descompasso entre a evolução científica e tecnológica e a filosófica e religiosa é, certamente, a causa maior dos problemas humanos.

Uma dolorosa observação surpreende o pensador no ocaso da vida. Reconhece ele uma ociosidade, mentes desocupadas ou ocupadas com futilidades, distraídas, e que, se o ensino ministrado pelas instituições humanas em geral – religiões, escolas, universidades –, nos faz conhecer muitas coisas supérfluas, em compensação quase nada nos ensina do que mais precisamos conhecer para encaminhamento da existência terrestre e a preparação para deixá-la.       

Aqueles a quem incumbe a alta missão de esclarecer e guiar a alma humana parecem ignorar a sua natureza e os seus verdadeiros destinos.   

Confundimos alhos com bugalhos. Não se imagina um fim maior para a vida. Ela não é para que sirvamos, mas, sim, para sermos servidos; não é para nos aprimorarmos nos mais altos primores; não é para que cada um, de per si,  construa a sua identidade.  Ela é para ser curtida, aproveitada, de preferência de maneira extravagante, intensa e espetacular e a natureza que se vire em recursos.

Neste romance, O BRILHANTE – no qual o autor sabidamente não identifica personagens com sugestivos e pomposos sobrenomes e nem localiza, em termos de nome de cidade, estado ou país, onde “aconteceram” os fatos fictícios, mas não improváveis, pois qualquer semelhança com fatos reais não é mera coincidência uma vez que estes podem ou poderiam acontecer, de fato, não mais no mundo da ficção, mas no mundo das reais possibilidades, das várias facetas humanas, em qualquer clã e em qualquer parte do planeta –, desde o momento em que o pai diz para o filho “[...] peço também que pense na possibilidade de ingressar na política, pois considero importante ter um de nós fazendo parte do poder porque quem tem o poder, não sei se você já percebeu, manda e não pede; além do mais, essa é uma das maneiras de defender os meus interesses, que espero sejam também os teus, e que, enfim, são os interesses de toda a família, ou seja, nossos interesses” vai nos mostrando para nós mesmos, vai nos chamando a atenção, vai nos fazendo refletir, através das várias facetas vividas pelos personagens, sobre o modo como vivemos, os arranjos e rearranjos.  O brilhantismo, o surpreendente, a grande sacada, é justamente nos mostrar, como num espelho, para nós mesmos. 

O ponto alto do livro são as duas palestras proferidas pelo personagem central, durante as quais os nossos pensamentos são revisitados, mas o que mais chama a atenção, o que penetra mais fundo é o raciocínio lógico, expressado afirmativamente com toda a firmeza: “[...] impunidade não existe, não passa de uma sensação, de uma ilusão. A natureza é justa, todo o Universo é justo. Nós pagaremos pelo que fizermos. Se não for hoje, será amanhã e, se não for amanhã, será um dia”. Ou seja, grita com toda a potência, para reverberar bem no fundo de nós, o que sempre soubemos: nós somos os únicos responsáveis por tudo, absolutamente tudo o que fizermos ou deixarmos de fazer para os outros ou para nós mesmos ou para uma das células do universo.          

 

 

 

                                                 Augusto Meyer Neto